1 de fevereiro de 2005

Passe Social: Anedota Electrónica

O novo sistema de passes sociais na Área Metropolitana de Lisboa, irónicamente entitulado «Lisboa Viva», é na sua essencia uma anedota quer tenológica, quer em termos de métodos e procedimentos.

Em crónica que publiquei no Jornal 24 Horas no inicio da implantação do sistema no Metropolitano de Lisboa, eu alertei atempadamente para o facto do sistema não funcionar: a detecção dos chip integrado no cartão era manifestamente ineficaz, que o cartão era demasiado frágil para o manuseamento constante a que estaria sujeito e que o sistema de portas de acesso ao metro era perigoso e lento. Na altura quase fui crixificado por e-mail por alguns leitores cujo conteudo demasiado técnico das sua missivas, os revelava demasiado por dentro de todo o processo, tendo por isso mesmo, aquele discurso tendencioso e parcialista de quem está atulhado de interesses até á medula.

O tempo veio a provar que eu estava certo, inclusive através das centenas de pessoas que tiveram de receber assistência hospitalar por terem ficado entaladas nas maléficamente extraordinárias portas de acesso ao metropolitano. Houve portas partidas, danificadas, cartões constantemente deteriorados, enfim, um caos, depois de se ter gasto fortunas num sistema ineficaz e obsoleto.Como se tudo isto não bastasse, agora decediram acabar com as tradicionais senhas de passe. No entanto, em vez de providenciarem meios electrónicos de fiscalização e controle da validade dos carregamentos do cartão, passam a emitir um recibo e uma cópia do mesmo para que ande em posse do utente para poder servir de comprovativo em caso de dúvida.

Será que faz algum sentido subtituir um papel por dois? Se a intenção, segundo julgo, é criar um título de transporte completamente electrónico, porque não dotar os fiscais de meios de verificação informática de modo a saber se determinado cartão adquiriu ou não um título de transporte válido para aquela data?A cópia do recibo que a partir de agora somos obrigados a carregar conosco é impressa por um processo térmico que, como é sabido, se detiora facilmente em contacto com o calor ou com a humidade. Que controle será possivel fazer com recibos elegíveis, devidamente sujeitos ao calor e humidade dos bolsos e carteiras dos utente? Se não fosse trágico, seria cómico... e de um non-sense total.