18 de abril de 2006

Disfunção Estéril

Os portugueses, desde a aurora da nossa história, são um povo produtivo, engenhoso, criativo e capaz, chegando mesmo a surpreender os mais incautos em tempos de adversidade. O problema deste país, é e sempre foi a classe dirigente, que salvo honrosas excepções, peca por ser incompetente, impertinente, culturalmente indigente, incongruente, inconsequente, subserviente ás influências estrangeiras e indiferente ás necessidades da nação. Outrora os monarcas, nobres e burgueses ricos e emergente, hoje os políticos, autarcas e gestores, têm quase todos a mesma invariável atitude: permanentemente ostracisados no próprio umbigo e interesses pessoais, pouco cientes da importância do serviço publico, pouco ou nada preparados para as funções que lhe foram confiadas, sem visão estratégica e demasiado focalizados na gestão do quintal que lhe foi atribuído, ignorando tudo á sua volta, numa miopia lamentável.

Uma boa parte dos portugueses que vivem noutros países, são empresários de sucesso como no caso dos que estão na Venezuela, no Brasil ou na África do Sul, são cientistas que glorificam centros de investigação e universidades estrangeira, são artistas de renome mundial como José Saramago ou Maria João Pires, ou são trabalhadores válidos, produtivos e dignos de mérito, como no Luxemburgo, um dos países com maior índice de produtividade da União Europeia, pejado no entanto de trabalhadores lusos. Quando vivem e trabalham em Portugal são aquilo que se sabe, aquilo que se vê e se constata, realidade á qual nem apetece tecer quaisquer comentários adicionais.

Emigração portuguesa existiu e continuará a existir, pelo menos enquanto os dirigentes e as Instituição da pátria ingrata continuarem a voltar as costas aos seus heróis, as suas cabeças pensantes ou simplesmente á massa anónima de força de trabalho que poderia fazer deste país uma realidade maior. O problema não é o povo, mas as instituições e quem as dirige; há bem pouco tempo, o director de um importante instituto publico, comentava comigo que «como a crise é grande, boa parte dos lugares de decisão estão ocupados por indivíduos claramente medíocres e que como têm noção do seu valor intrínseco, agarram-se ao poder com unhas e dentes, fazendo com que os realmente válidos fiquem no desemprego, caiam no desinteresse ou simplesmente emigrem». Eu não quis acreditar nas suas palavras de Velho do Restelo, mas com o passar do tempo, cada vez mais me convenço que ele tem razão. Talvez por isso, a emigração portuguesa do séc. XXI seja tão preocupante, porque é a debandada dos quadro, dos criadores, dos que pensam, dos que agem, dos que poderiam salvar este país.

O inacreditável acontece! Desrespeito dos desrespeitos: os funcionários de um grande Instituto publico decidem em bloco tirar os telefones do descanso durante uma manhã inteira de trabalho, sem uma justificação, deixando os contribuinte desesperados e a apinhados numa recepção onde a funcionária não sabe o que informar. Incongruência das incongruências: Delegações Regionais do Instituto da Juventude, tem ao seu serviço funcionários jurássicos, monolíticos e sem qualquer aptidão para o diálogo e atendimento, a fazer aconselhamento a um público juvenil. Balda das baldas: o facto amplamente noticiado na comunicação social de uma Assembleia da Republica praticamente vazia e inoperante para a função que lhe está destinada. Incompetência das incompetências: missivas que se ignoram, processos que se perdem, cartas registadas com aviso de recepção que não se respondem, diferimentos tácitos por inoperância ou falta de resposta, desacompanhamento de subsídios e financiamentos públicos, desbaratamento de dinheiro em projectos culturais que não se efectuam, e eu sei lá que mais.

Fiz uma pequena investigação por conta própria: telefonei na passada quarta-feira para inúmeros organismos públicos tentando falar com os responsáveis. Uma esmagadora maioria estava ausente em misterioso e conveniente serviço externo… na quinta-feira de manhã também já não se encontravam visto haver tolerância de ponto… o mesmo se passou na segunda-feira… juntando a isto, os que foram um pouco mais honestos e aproveitaram para tirar ferias efectivas nestes dias, pode-se dizer que quase tudo estava parado, com custos incalculáveis e exorbitantes a serem debitados aos já magros bolsos de cada um de nós. E o que importa é criar entraves, dificultar, problematizar, servir mal e assim apertar a entrada no círculo para que a roda dos privilegiados contemple sempre os mesmos.

Não vamos a lado nenhum com este mar de instituições acéfalas e inoperantes, de políticos amorfos e absentistas e dirigentes sem firmeza e pujança. Pior que a disfunção eréctil, que já tem uma azul solução, e a disfunção estéril que ataca a nossa classe com poderes decisórios. Disfunção Estéril de profissionalismo, de ideias e acções praticas, eficazes e efectivas, porque para essa ainda não existe remédio á vista.
Publicado no Jornal Noticias do Barreiro

15 de março de 2006

Morangos Amargos

Agora que a Primavera já teima em fazer-se sentir, vem-me logo á memória as deliciosas frutas estivais como seja os morangos, doces, carnudos, sumarentos e de um vermelho quase pecaminoso. Os morangos quando são de boa qualidade, querem-se comidos assim, tal e qual se apresentam, apenas enxaguados numa fonte refrescante, e logo consumidos para deleite de todos. Os morando com chantilly são um profundo aburguesamento estrangeirado, hábito oriundo de países mais a norte, onde o sol não é tão generoso e por isso faz com que esta fruta não amadureça tanto e não se torne naturalmente tão doce. Há quem os consuma com iogurte, numa fusão láctea do sabor dos mesmos. São estilos diferentes, todos aceitáveis porque encerram em si o mínimo de bom gosto e como é sabido, estilos não se discutem. Juntar açúcar aos morangos é a menos recomendável e aceitável opção, porque o açúcar faz mal e deveria ser banido de qualquer dieta equilibrada, porque não faz sentido juntar doce a algo que já o é por si, porque mistifica o gosto dos mesmos sem revelar nenhum sabor novo fruto da fusão das partes, porque a textura granulada combina muito mal com a polpa carnuda e macia, porque num snobismo paupérrimo, não aproveita nem o melhor da fruta, nem o melhor do doce.

Como resposta á febre brasileira dos ginásios e da cultura do corpo, os jovens portugueses respondem consumindo imoderadamente Morangos com Açúcar, ano após ano, época após época, glorificando o que é fútil e algo medíocre, como vem sendo hábito no nosso país. É uma má solução, servida pelo argumento possível (Haja imaginação!), algum brio técnico e um nível de representação que, salvo os veteranos e algumas magníficas e honrosas excepções, roça o inaceitável. Este desfile de pseudo-actores, teenagers mal preparados e mal pagos em busca de fama fácil e glória instantânea, são no entanto o elemento aglutinador e catalizador de toda uma geração, de tal modo que até houve uma adolescente que se atirou de um penhasco só porque não foi aceite no casting da série. Depois da Beat Generation, depois da Geração X, depois da Geração Rasca, temos agora a Geração Morangos com Açúcar.

Almoçava eu outro dia num daqueles restaurantes que hoje se envergonham de chamar Tascas e que tem sempre a televisão ligada. O noticiário desfilava um sem número de desgraças e preocupações: assassinato de um transexual no Porto, violência doméstica, gripe das aves, aumento das taxas de juro, aumento da taxa de desemprego, entre outras maleitas. Ao meu lado, numa mesa extensa, almoçavam também um grande número de efectivos da PSP, que se banqueteavam com entremeada pingando gordura e estavam completamente alheios á realidade trágica urdida no ecrã. De súbito e para meu espanto, perante a noticia de que um jogador de um clube de futebol foi suspenso depois de tentar agredir o arbitro, todo o efectivo se levantou da mesa para se colar ao televisor, urrando e gritando impropérios de indignação, como se aquele episodio fosse de algum modo vital ou importante para o futuro de todos nós. . Eu também gosto de futebol e não tem nada de mal gostar de futebol. O problema é só gostar obsessivamente de futebol. Alheamento total, embora não aceitável é em certos casos compreensível Agora, alheamento de tudo o que não seja futebol, é algo… nem tenho palavras! É o país que temos e a inclassificável realidade em que somos forçados a viver.

Há modas e movimentos culturais e sociais, como a chamadas eróticas, os reality shows, o José Castelo Branco e muitos outros, que não são preocupantes, porque são naturalmente efémeros e extinguem-se em si mesmos. Não é o caso, nem do futebol, nem da adição de excesso de açúcar na fruta.

Qual combate ao desemprego? Qual Plano Tecnológico? Qual Captação de Investimento Estrangeiro? Qual que? … Tudo pérolas a porcos. Entre os efectivos trintões que nada tem na cabeça além de pernas musculadas correndo atrás do esférico sobre os relvados dos estádios sobre dimensionados, caríssimos e claramente desnecessários e os adolescentes efectivos que na cabeça nada têm e que chegarão aos trinta anos com os dentes podres e cariados numa congestão de Morangos com açúcar, venha o diabo e escolha. Entre a futilidade completa e a completa futilidade, a meu ver, nada há a escolher.

Eu prefiro os morangos ao natural, amargos mesmo, se tiver de ser, pois todo este doce, além de enjoar, deixa adivinhar um futuro de morangos bem amargos.
Publicado no Jornal Noticias do Barreiro

8 de fevereiro de 2006

Desorientação Sexual

A homossexualidade não é nada de novo, nem de estranho, nem de particular, é apenas uma orientação sexual; sempre existiu e sempre existirá e não escolhe classes sociais, ou níveis culturais ou raça ou profissão. A aceitação social da mesma é que tem vindo a variar muito de época para época, de cultura para cultura e de civilização para civilização. As últimas décadas têm sido de repressão e tabu, apesar de algum clima crescente de abertura e aceitação neste campo.

De subido, neste início de século, o que é gay vende, o que é gay rende, o que é gay prende a atenção dos públicos mais diversos. De um momento para o outro, as orientações sexuais minoritárias são o tema de conversa, o foco de inúmeras reportagens, filmes, romances, seriados e outras ficções. Desde os investigadores do Instituto de Biotecnologia Molecular de Viena que afirmam ter conseguido manipular geneticamente a orientação sexual de determinada espécie de mosquitos cujo genoma é parecido com o humano, lançando para a mesa a velha discussão da origem biológica da homossexualidade, passando pela sondagem publicada recentemente pelo semanário Expresso que afirma que cerca de 1 milhão de portugueses ser homossexual o bissexual, sem esquecer a tentativa de casamento de um casal de lésbicas em Lisboa e a estreia do filme coqueluche da época no próximo dia 9, que conta a história de um casal de cowboys gay, o que é certo é que o tema está definitivamente na moda.

Se a tese dos investigadores vienenses carece de maior desenvolvimento e não recolhe por ora um reconhecimento unânime junto da comunidade cientifica, a sondagem do Expresso peca por defeito, pois segundo a mesma 63.3% dos inquiridos não quiseram responder á pergunta fatal, sendo fácil de concluir que o numero de portugueses com esta orientação sexual seja muito superior a um milhão. O que não suscita qualquer dúvida é o extremo interesse do público por esta temática. Filmes, reality-shows e séries mainstream passara a ter como condimento quase obrigatório um gay de serviço: o público gosta, o público acha graça, o público comove-se e o produto rende. São séries como Will & Grace, Queer as Folk, Sexo e a Cidade, OZ, etc, programas como o Queer Eye for a Straight Guy e a versão lusa Esquadrão G, são os romances do Guilherme de Melo, da Ana Zanati, é colocarem o actor «The Rock» a fazer de gay ao lado de John Travolta e Uma Thurman em «Be Cool», é o filme português «Odete», e como se tudo isto não bastasse temos o novo filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», que depois de arrebatar quatro Globos de Ouro, o Leão de Ouro em Veneza, prepara-se para transformar a noite de entrega dos Óscares na mais gay de sempre, pois está nomeado para oito estatuetas douradas.

Provando que neste momento o que é gay vende, o filme de Ang Lee, que retrata o amor entre dois cowboys, ultimo reduto da dita masculinidade americana, prepara-se para arrecadar uma fortuna nas bilheteiras, nas ordem doa 100 milhões de dólares, seguindo as pisadas de filmes com a mesma temática, como Filadélfia (73 milhões), Jogo de Lágrimas (63 Milhões) e Gaiola das Malucas (124 Milhões).

Este fenómeno no entanto, é uma coisa de moda, passageira e fugaz. Quando o público perceber que ser gay não é nada de extraordinário, nem de invulgar, que a maioria destas pessoas, não são encharpes cor-de-rosa como as querem pintar, mas têm os mesmíssimos dramas, alegrias e preocupações que os que não partilham da mesma orientação sexual; momento em que todos percebermos isso, as historias com esta temática perderão grande parte do interesse. Anda tudo ao contrário e de candeia ás avessas: quando a comunidade gay parecia ter perdido o interesse pelo público em geral e estava um pouco mais fechada que o habitual, o publico ganha interesse súbito por esta comunidade, quando os casamentos heterossexuais diminuem visivelmente, os homossexuais querem quase á força, casar-se. E com isto tudo, os indivíduos que partilham uma orientação sexual maioritária, mostram claros sinais de desorientação sexual. O que não é caso para isso!

Enfim, encontros e desencontros e modas que rapidamente passam…espero é que quando tudo isto passar e se nivelar, que fique a tolerância. Sobretudo a tolerância!
publicado no Jornal Noticias do Barreiro

23 de janeiro de 2006

O Regresso de D. Sebastião

Em vez de abandonarem para sempre a falta de confiança em si mesmos e os sentimentos pessimistas e taciturnos que sempre nos condenaram á desgraça e a glórias efémeras, os portugueses teimam em esperar eternamente pelo Messias, pelo prometido, por um tal que se perdeu em aventuras tresloucadas por terras de África, pelo Quinto Império, por glórias passadas que se transubstanciariam em futuras por obra e graça do divino, enfim, por alguém que nada de concreto prometeu e por isso nada de exequível tem para dar. É sempre melhor esperar do que lutar, presumir do que executar, vaticinar do que concretizar.

Foram este tipo de sentimentos que deram a vitoria logo á primeira volta a Aníbal Cavaco Silva, o primeiro presidente centro-direita a ser eleito após a revolução de Abril, o protagonista de um período de economia supostamente emergente, o timoneiro de uma Era áurea para alguns, o que nunca se engana e raramente tem dúvidas, o empedernido economista, o inábil gestor de politicas sociais e aquele que agora vai ser o salvador da pátria, anulando diferendos e de braço dado com o governo socialista vai estabelecer a ponte entre a esquerda e a direita, tudo em prol do tal «Portugal Maior», que cansando-nos, se cansou de proclamar durante a campanha eleitoral.

É preciso ser-se muito ingénuo para acreditar nisto; mas o povo é assim mesmo, ingénuo e neste assuntos de politica, sem qualquer malícia, acreditando que um bom pastor poder-se-á tornar num excelente talhante, porque está habituado a lidar com os animais, que por sua vez poderá dar um exímio cozinheiro que nos preparará, num abrir e fechar de olhos, um cabrito assado de fazer crescer água na boca. Na minha modesta opinião, água e pelas barbas, dará esta relação comprometido-colaborativa entre o novo Presidente da República e o Governo de José Sócrates.
A esquerda no seu todo, desunida e inflada de protagonismo, por certo errou. O «Homem para a Eternidade», como tão bem o caracterizou Clara Ferreira Alves, o que alguns chamaram o Presidente-Rei, não devia ter regressado dos caminhos da imortalidade e da distância; o raio não cai duas vezes no mesmo local. O Poeta, quem sabe um fingidor e sentindo com a imaginação, não parou para escutar no vento que passa a noticias do seu país. Aquele que á esquerda da esquerda nada tinha para dizer deveria ter guardado o silêncio, assim como o deveria ter feito aquele que ainda tem algo para dizer; verborreia por um lado e protagonismo forçado por outro, por vezes pagam-se muito caro.

Ilações politicas de tudo isto? Tiram-se muito poucas… Quando se estabelecem estratégias, tem de se equacionar factores sociais e culturais que por vezes não são muito óbvios. Num momento de crise como aquele em que atravessamos, a necessidade de um sentido messiânico do povo português falou mais alto, foi ela que ganhou as eleições. A solução sebastianista e miraculosa que Cavaco Silva tão bem soube personificar, qual D. Sebastião do século XXI, arrebatou o parco entendimento de uma franja de eleitores que o conduziu á vitória.

Desaparecido no Cavaquistão numa tarde de nevoeiro, ele foi o eterno Desejado: em todos congressos, em todas as crises, em todos os governos sociais-democratas que lhe sucederam. Regressou agora envolto em nevoeiro; uma névoa que baralha mesmo os mais avisados e que talvez venha a turvar o futuro do país.

20 de janeiro de 2006

Ano Novo... Vida Nova ...


No final de cada ano que passa ou logo no início de cada ano que entra é usual fazer uma retrospectiva do que passou; no que toca ao ano de 2005, fazer tal coisa seria completamente traumático, desapropriado e um verdadeiro mau augúrio para o ano que entra, de tal forma os 365 dias transactos foram catastróficos, patéticos e definitivamente a esquecer, pois não trouxeram nada de bom ou digno de memória. Como diria o poeta que das tristezas fique a mágoa na lembrança e do bem, se algum houve, a saudade – mágoas: demasiadas, saudades: zero.

Mas como é habitual dizer-se, ano novo, vida nova! Foi com esta máxima popular e réstia de esperança que me deitei no último dia do ano passado, para acordar para a mesmíssima desgraça para que tinha adormecido; o ano mudou, mas os cães continuam a ladrar e a caravana não anda nem passa, completamente atolada nas lamas e nos lodos que atafulham os caminhos que este país trilha ultimamente.

Tudo sabe a repassado, a requentado e a restaurado. Ora vejamos, temos uma série ao estilo «ficheiros secretos», intitulada “Envelope 9”, a listagem detalhada dos telefonemas das mais altas individualidades dos estado a embrulhar aquelas que supostamente haviam sido pedidas no âmbito do Caso Casa Pia e que vieram a publico não se sabe muito bem como nem porque, vindo assim demonstrar que o direito á privacidade, o segredo de justiça e a autoridade das instituições é o que é, podendo talvez fundamentar-se assim a teoria da conspiração, que permite que determinadas empresas e indivíduos façam o que bem lhes apetece julgando-se acima da lei e ao sabor de ventos e correntes subterrâneas. Houve quem enjeitasse responsabilidade, houve quem se sentisse muito incomodado, na linha de quem deve… teme. Em resumo, temos a Juíza Ana Peres a braços com mais um imbróglio melindroso, temos um Procurador-Geral da República chamado a dar esclarecimentos sobre o caso, mas que solicitou 3 dia s para encontrar justificações para o injustificável e temos o Presidente da República quase quedo e quase mudo, porque o calado vence e reforma-se confortavelmente muito em breve.

Ainda só passaram 15 dias deste ano novinho em folha e como se não bastasse a estreia desta super-produção, ainda temos a bandidagem a operar livremente e em “happy hour” entre as 17.30 e as 9.00, graças á greve da PJ, temos Direcção-geral das Contribuições e Impostos (DGCI) que diz que vai avançar com a penhora de contas bancárias, salários e créditos sobre terceiros aos contribuintes com dívidas ao fisco, medida que se calhar vai abranger essencialmente os pequenos devedores, porque os grandes, como não tem remédio, remediado está.

Temos ainda os farmacêuticos que na sequência da morte anunciada do monopólio de venda de medicamentos, acordaram de súbitos para as funções, deveres e obrigações para as quais nunca se mostraram muito zelosos; no entanto, solicitude e zelo em excesso é moléstia e incómoda, ainda mais quando se trata de um atitude súbita, extemporânea e reactiva. Temos um suposto lobby gay de que toda a gente fala e que nem sei se existe. Temos o caso da trama “Electricidade Portuguesa em Saldos”, urdida pelo o ex-ministro Joaquim Pina Moura e corajosamente travada por João Ramalho Talone. Temos um Plano Tecnológico, pérola do programa de governo de José Sócrates, que á semelhança de paixões passadas de governos socialistas, como a educação, se afunda em demagogia e falta de clareza. Que interessa um plano quiçá brilhante se o mesmo é exposto de forma tão esotérica que quase ninguém percebe a sua exequibilidade e concretização. È urgente fazer um desenho, um mapa orientativo, para que não seja mais uma pérola atirada aos porcos… aos porco em que nos tornámos todos nós, fossando nas maiores dificuldades e na lama e desperdício que jorram das janelas das elites deste país.

Por ultimo, temos o que fala, fala, fala e não diz nada de exequível, temos o defensor amorfo do ultimo bastião do proletariado, temos os que não interessam nem ao menino Jesus, temos o Poeta, que por certo é um fingidor, temos a reedição agora digital e remasterizada do Bucha e Estica com sabor a anos 80; um bucha que ataca e recalcitra em atitudes que achamos engraçadas e inconsequentes e um estica, qual nosferato algarvio, que amolga tejadilhos de carros para se colocar acima da populaça e sonha com um Portugal Maior. O maior em corrupção, em compadrios, em acidentes de viação, em baixa produtividade, em miséria e descontentamento.

Até tremo só de pensar que este remake tem estreia nacional a 22. Mas tremo muito mais ainda, só de pensar que, se em apenas 15 dias foi possível tudo isto, o que nos reservará os restantes trezentos e tal dias que faltam para acabar o ano. Bom ano para todos.
publicado no Jornal Noticias do Barreiro