Como está é a ultima crónica antes das férias, decidi escrever sobre isso mesmo; sobre o tempo de não fazer nada e onde aparentemente nada acontece. Verão é tempo de praia, de sol, de mar, de campo. Verão rima com paixão, com despossessão, com descontração, mas também rima com meditação, com introspecção e com reflexão. Lá por ser um tempo que apela ao descanso dos corpos, não quer dizer que isso implique a inércia do espírito, muito pelo contrário: no desafogo da fuga natural das preocupações e afazeres da rotina quotidiana, refastelados entre sol e sombra no embalo da brisa, é a altura ideal para olharmos um pouco para dentro de nós e percebermos qual o nosso papel no enorme xadrez que é o futuro de todo nós.Como a crise prolongada cria mossas e para muito de nós o dinheiro não abunda, há que fazer as malas para não partir, ficando por cá, ou seja, não indo a lado nenhum, reduzindo assim no período estival o raio de acção àquela amplitude que tem o ano todo. A realidade para muitos portugueses este ano será essa mesmo; uma férias que se limitam a umas idas á praia, uns jantares por fora, umas patuscadas com os amigos e pouco mais. Neste tempo de não partir tão cheio de Nadas, deve ser uma época de reflexão suave sobre o passado, ponderação do presente e planeamento esperançoso do futuro.
Esquecendo por momentos os horríveis e inenarráveis acontecimentos no Médio Oriente e as querelas estúpidas em sem sentido na Assembleia Legislativa da Madeira que proíbem os jornalistas do sexo masculino de entrar de T-Shirt, é tempo de acreditar num futuro melhor para este país. De todo o lado surgem pequenos sinais de que estão a ser tomadas as medidas certas e necessárias, que algo de bom nos espera nos tempos vindouros e que o por vir, se não for propriamente risonho, pelo menos não será triste de certeza.
Fala-se em especialização, em competência tecnológica, em competitividade, em reestruturação, em investimento estrangeiro, em sucesso na diminuição do défice público e numa montanha de outros conceitos inteligentes e interessantes, tendo-se estado efectivamente a desbravar os caminhos e estradas que conduzirão aos mesmos pelo meio do matagal da pesada herança de incompetência, despautério e improdutividade que caracterizou o passado recente. No entanto, para atingir a excelência, a glória e o tão esperado progresso falta apenas um pormenor, um pequeno nada de que tudo depende: a vontade íntima e ínfima de cada um de nós.
A desmotivação, a falta de determinação e objectivos tem sido um lugar comum para muitos portugueses. Chegou a altura, o momento exacto de, através da reflexão e meditação, mudar esse estado de alma de modo a que esta nação de nome Portugal, possa conquistar o lugar ao sol que tanto anseia e que pode ser seu por mérito próprio. Chega de indefinições, imprecisões, inconsistências e falta de vontade, cada um de nós tem de acreditar e por em pratica aquilo em que acredita. Há que dar o salto, o passo em frente e tornando os sonhos realidade, passar do idealismo á iniciativa. Há que ser audaz, persistente e empreendedor; não só profissionalmente, mas também a titulo pessoal, amoroso e familiar.
Que este Verão seja o primeiro do resto das vidas de todos nós! Um inicio de um novo ciclo! Por isso, agora que o calor convida ao repouso merecido do corpo, ponha a mente para trabalhar: programe, planeie e cumpra! Aquelas idas ao ginásio adiadas á tantos anos! O fim de uma relação á muito anunciado ou o inicio de uma nova, cuja indefinição a tem arrastado para águas mansas de suposta amizade! Procure o novo emprego que sempre ambicionou ou mude de atitude de modo a que o emprego de sempre lhe pareça novo e emocionante! Inscreva-se naquele curso de pintura ou teatro de modo a explorar aquele suposto talento profissional que ficou relegado para passatempo eternamente adiado! Mais do que benemérito seja justo! Mais do que esperto seja inteligente! Mais do que gentil seja bondoso! Mais do que educado seja correcto! Mais do que intencional seja determinado! Mais do que amoroso seja apaixonado! Estude! Leia! Ame! Viva! Parar é morrer! Desistir e adiar também!
O Verão, tal como esta crónica, é feito de pequenos Nadas. Pequenos nadas que são quase Tudo. Pense nisso e boas férias.
Publicado no Jornal Noticias do Barreiro