Hoje em dia a força bélica, e bem se vê nesse absurdo que somos forçados a testemunhar, mede-se pelo número de engenhocas tecnológicas ultra-sofisticadas e muitas vezes não tripuladas que um país possui. Muito mais importante que a rede rodoviária e ferroviária, são as estruturas de comunicação, a rede de fibra óptica, as LAN, as WAN, os satélites, a Internet e o número de computadores e telemóveis per capita. Hoje em dia os Homens continuam a não se medir aos palmos e as nações também não. Estas medem-se pela capacidade e evolução tecnológica e pela propriedade intelectual. Por estranho que pareça, neste universo parafísico, o fluxo e quantidade de informação são a medida de grandeza e poder dos povos.
Das visões politicas do século passado no tocante à definição do papel do Estado, que oscilaram livremente entre o estado-liberalista e o estado-controlador, emerge hoje uma nova figura e modo de estar, que é o estado-tecnológico, proteccionista e providencial no que concerne ao fulcro de uma nação moderna, ou seja, a tecnologia. O novo papel do Estado prende-se com a necessidade de ser regulamentado, mediado e incentivado o progresso tecnológico.
E nós? Sim, e os portugueses como ficam perante esta realidade? Mal, como de costume! Nunca mais paramos de esperar por D. Sebastião, «quer ele venha, quer não». Nunca mais emergimos do obscurantismo a que nos votámos, para encarar o futuro com clareza, sem angústias e sem complexos de inferioridade.
Os portugueses são um povo engenhoso e muito empreendedor, sem sombra de dúvida. Os nossos dirigentes é que são quase invariavelmente gente medíocre, utópica, sem visão de futuro, demagógicos, ora de uma arrogância desmedida e patética ora lambedores da sombra dos outros, inconsequentes, anfitriões da guerra alheia, criados dos Senhores do Mundo. E nós todos, tristes espectros, ainda esperamos por eles nas tardes de nevoeiro, se é que ainda o fazemos.
Onde está o e-govermment em Portugal? E a tão prometida flat-rate na Internet? E a banda larga generalizada? Onde estão os resultados dos incentivos á renovação tecnológica do tecido empresarial ou á criação de conteúdos electrónicos? E rede de pontos de acesso público á Internet tão parca ainda? Não há ninguém que ponha cobro aos desvairos e mau serviço da Netcabo? Porque é que o organismo que regula o subdominio PT age de forma surda e arrogante perante os clientes e funciona simplesmente mal? Porque de tudo isto e muito mais…
Para quando medida politicas corajosas e incisivas? Porque não reduzir a taxa do IVA dos produtos e serviços informáticos? Sim, porque não são só as fraldas cujo o IVA vai baixar para 5% que fazem progredir o país. Porque não taxa de juro bonificadas para aquisição de material informático? Porque não reduzir o IRC e a taxa de Segurança Social ás empresas de alta tecnologia como forma de incentivar e dinamizar o sector? Porque não esquecer um pouco o passado, pôr por momentos de lado o problema insolúvel e cíclico da intempérie que estragou a cultura do tomate podre em Trocopasso-de-Cima, para nos concentrar-mos em algo que traga algum futuro a este país, já de si com muito pouco.
Está na altura de assumir que Portugal é o país dos Tês: Turismo e Tecnologia, Tudo-em-cima-da-hora e Tanto-se-lhe-dá-como-se-lhe-fez. Todo o resto é paisagem, simplesmente nevoeiro, donde nunca surgirá nada prometedor. Calem tanto disparate que para aí se diz, especialmente em assembleias e ministérios. Se esse senhores são portugueses, então eu quero se espanhol! Pim!
Bravas e empreendedoras gentes Lusitanas, acordai! É a Hora!
publicado no Jornal Noticias do Barreiro
