28 de maio de 2007

A Solidão da Escrita

A morte tal como a escrita é, por norma, um acto solitário. Já não me recordo de quem o autor desta ideia, mas lá que é verdade, não tenho qualquer dúvida, pois tal como é raro alguém falecer em conjunto com outrem, de forma acidental ou programada, também não é vulgar escritas a mais do que duas mãos. Mas enquanto a morte é algo certo e inevitável, que podemos adiar sem nunca poder fugir dela definitivamente, a escrita é algo incerto e que podemos sempre adiar; a constrangedora introspecção que é o confronto com o espaço branco que urge povoar de caracteres por vezes teima em não fluir e caprichosa exige-nos tempo, ausências, silêncios longos e respirações compassadas.

Por norma sou regular na escrita, mas por vezes, como se passou nos últimos tempos, preciso de um período de carência, de ler sem opinar, de contenção e de economia de palavras. Durante esse tempo este espaço ficou silenciado, para grande pena minha, pois sabia que você, caro leitor, continuava a cá vir na esperança que de mim brotassem mais textos, mais novidades e opiniões. Quero que saiba que senti saudades desta nossa comunicação unilateral, desta nossa conversa sem retorno, deste meu solilóquio acabado.

Mas no fundo o que importa é que voltei, para escrevinhar e opinar com a maior frequência possível. Voltei para ficar até que a voz se extinga, sabe-se lá quando.

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